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Disciplina é algo natural

O cão somente encontra a verdadeira paz e equilíbrio quando tiver regras, limites e restrições na sua rotina diária. E para que isso exista alguém precisa estabelecê-los e essa é a tarefa para o líder da matilha.
Como o Cesar Millan fala, o melhor profissional na área de adestramento que muitos já viram, e que particularmente me baseio no aprendizado, que os cães demonstram precisam de muito mais do que a habilidade de sentar, ficar, deitar, rolar e pegar o jornal para terem uma vida completa. A forma de Cesar  reforçam positivamente o treino para reabilitar. Agora um texto do livro “Cães educados, donos felizes":
“A meu ver, existe uma grande diferença entre a idéia de disciplina e conceito de punição. Para mim, a disciplina faz parte da ordem do universo - é a essência da maneira como a Mãe natureza age para fazer com que o planeta funcione. Disciplina é ordem. É rotação da Terra, o nascer e o pôr do sol, são as fases da lua. É uma estação vinda depois da outra - uma época para plantar e cultivar e outra para colher. Dentro desse contexto maior, disciplina é a maneira pela qual todos os membros do reino anima sobrevivem. Todas as manhãs os esquilos saem em sua janela à procura de sementes, outros procuram no chão, tentando encontrar minhocas e outras iguarias. Se você parar para observá-los todos os dias, verá que a rotina deles raramente varia, exceto quando ditada por outros fatores, como cuidar dos filhotes, migrar ou se preparar para o inverno, escapar da chuva, encontrar uma nova árvore, depois que aquela onde ficavam foi derrubada por uma tempestade. Nenhum desses animais tem Domingos ou dias de folga. Vivem o presente ao máximo, e todos os momentos são guiados pela disciplina. O instinto deles indica o que fazer para manter a ordem da vida. Quando ocorre uma disputa por alimento, por território ou por parceiros, eles mantêm a disciplina entre si, e o ambiente mantém a disciplina entre todos eles.
No mundo natural do carnívoro social, a disciplina e a ordem são incrivelmente importantes. As regras são estabelecidas por duas maneiras: por meio de seu "programa" (os instintos de sobrevivência) e pelos outros componentes do grupo. Os cães, por serem animais de matilha, são extremamente ligados às regras do grupo. Cooperação significa sobrevivência. Os animais sociais contam com o conhecimento de seu lugar e de seu papel dentro do grupo para garantir a sobrevivência deste. Se o cão não tem noção forte de onde se encaixa na matilha, quase sempre mostra sinais de instabilidade. Esta instabilidade vem de um lugar profundo e primitivo - a necessidade de garantir a continuação do grupo, independente do  custo que isso tenha para o indivíduo.”

Bater com as mãos pode causar complicações bastante negativas


Qualquer tipo de disciplina que envolva bater com as mãos pode causar complicações bastante negativas para os cães. Apanhar não é algo natural no mundo canino, eles não disciplinam uns aos outros dessa maneira, por isso, na mente do cahorro, fugir na pancada é uma reação instintiva de medo que pode causar timidez, desconfiança e outros sentimentos negativos. Uma mão indo com força na direção deles é uma experiência totalmente estranha aos seus instintos, por isso podem ficar tímidos diante de todas as mãos, não apenas daquelas que seguram o jornal. E temer uma mão pode significar evitá-la ou mordê-la.

Os animais pensam?Sim...


Estudiosa do autismo a norte americana Temple Grandin, que é autista, diz que a sua forma de ver o mundo pode ajudar a compreender como pensam os animais. Segundo ela os animais e pessoas com autismo têm a mesma forma de ver o mundo e os mesmos mecanismos de "pensamento".



O termo autista provém do grego (autos significa "de si mesmo"). Hoje, o que se sabe é que o autismo é um transtorno definido por disfunções físicas no cérebro, ocorridas antes dos 3 anos de idade, e caracterizado por perda da comunicação, distúrbios nas habilidades físicas e linguísticas, e em dificuldades na interação social.



Como Temple Grandin é autista, ela pode ver através de um ponto de vista muito particular, único na história da ciência. É formada em psicologia em 1976 e desenvolveu vários trabalhos científicos que vêm ajudando pesquisadores do mundo todo a entender melhor o autismo.
Depois de se dedicar a mente humana, Temple se especializou em comportamento animal e mais tarde doutorou-se na mesma área, aperfeiçoando ainda mais o seu trabalho com animais e dando os primeiros passos em direção às atuais descobertas. Suas principais ideias sobre o pensamento dos animais estão defendidas no livro Na língua dos bichos.
Temple projetou um sistema de abate que poupa o gado do estresse e do pânico antes de ser sacrificado. Construído de forma circular e todo coberto, esse sistema é usado por metade dos matadouros dos EUA, pois evita que o gado se assuste com sons e movimentos bruscos vindos de fora e ao mesmo tempo impedem que vejam o que há pela frente.
Segundo ela, um porco evita atravessar um local por ver poças de água com reflexo, pois podem parecer coisas assustadoreas. Para Temple, isso ocorre também com alguns autistas, mais sensíveis a mudanças insignificantes do ambiente onde vivem.
A maneira de processar informações visuais que chegam ao cérebro também serve como comparação entre os animais e pessoas autistas. Pessoas normais veem e ouvem de forma seletiva, como uma “peneira” que filtra o que vai ser realmente compreendido pelo cérebro. Os autistas têm essas partes do cérebro normais , mas não estão totalmente ligadas ao resto do cérebro, não prmitindo essas filtragem. Para ela, o fato de os animais também terem o neocórtex pouco desenvolvido justificaria tal semelhança.
Também existem semelhanças na forma de se relacionar emocionalmente com o mundo. “Emoções como raiva, medo, curiosidade, atracão sexual e laços sociais como a amizade são básicas para ambos, pois tanto animais como autistas têm menor capacidade de associar coisas o tempo todo, o que ajuda a manter os sentimentos mais separados”, dia a pesquisadora. “Ambos têm uma percepção mais amena da dor por conta da possível falta de conexão entre a dor e sentimentos como a preocupação e a ansiedade.”

Foi criado uma polémica entre todos da comunidade académica e cientistas do mundo todo, com oposições aos pontos de vista defendidos por Temple. Em defesa ela diz que tudo está no modo em que as informações são aprendidas pelos não autistas que pensam como linguagem, enquanto os autistas e animais pensam a partir de dados sensoriais brutos.
Todos concordam que seu trabalho tem revelado um vasto conhecimento no que diz respeito ao autismo e a percepção dos animais.
Enquanto não se sabe de fato como os animais pensam, vamos continuar admirando os olhares que parecem que falam com os nossos e aprendendo a se comunicar com esses seres tão especiais que nos ensinam a conhecer a eles e a nós mesmos.

Fonte- Planeta- Junho de 09


Site Dr. Temple Grandin - http://www.grandin.com/

Use a psicologia canina



Imaginemos um cão em desespero, com medo de um determinado obstáculo, como sair na rua por exemplo. Ele adquiriu esse comportamento devido a um susto que levou, aí vamos lá tentar acalma-lo, dando festinhas, falando docilmente. Nosso erro é pensarmos que os cães têm sentimentos iguais aos nossos, usando a psicologia humana para superar o problema.
Os cães não pensam como nós. Eles reagem a uma situação, ficando condicionados a elas. Esses medos e essas fobias são reações condicionadas. E qualquer reação pode deixar de ser assim se entendermos o básico da psicologia canina. Com isso podemos sim ajudar a superar a qualquer problema comportamental.